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Por que não encher o tanque até a boca por Bob Sharp


Encher o tanque de gasolina até a boca já foi uma prática comum no país, mas hoje não é mais possível. No Brasil, a partir de janeiro de 1989, como parte do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve), determinado pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) pela Resolução n° 18/86, todos os veículos a gasolina e a álcool passaram a ter um dispositivo para controlar as emissões evaporativas de combustível.

Para isso, receberam um filtro de carvão ativado que fica localizado próximo do motor e que recebe os vapores de combustível do tanque por uma tubulação criada especialmente para esse fim. O filtro fica no interior de uma espécie de invólucro circular que se assemelha a uma lata e por isso recebeu o nome de canister no país onde foi criado, os Estados Unidos, por ser parecido com aquelas latas de cozinha onde se guardam mantimentos. Aqui continuou sendo chamado pelo mesmo nome, porém com acento circunflexo na primeira sílaba segundo as regras de acentuação da nossa língua: cânister. Nos EUA o dispositivo foi adotado em 1971.

O limite de evaporação começou com 6 gramas por teste, e em maio de 2003 passou a 2 g. Só para saber como é esse teste de emissão evaporativa, ele consiste em colocar o veículo numa câmara selada, com motor desligado e com um sistema de aquecimento do combustível do tanque que eleva sua temperatura de 16° C a 29º C em uma hora, sendo então medida a concentração de hidrocarbonetos evaporados na câmara. Em seguida o veículo percorre, no dinamômetro de rolo, o ciclo de emissões pelo escapamento e retorna à câmara, onde permanece por mais uma hora, porém sem ter o combustível aquecido. A concentração de hidrocarbonetos é medida novamente. Somam-se os dois resultados para obter o resultado final em g/teste de combustível evaporado.

O filtro de carvão ativado recebe os vapores de gasolina (o álcool praticamente não evapora), os absorve e, quando o motor funciona, são logo aspirados pelo coletor de admissão. Como o filtro só pode receber vapor, é preciso garantir que não chegue combustível líquido até ele. A maneira encontrada pelos fabricantes de automóveis para conseguir isso foi estabelecer um determinado volume de ar entre o líquido no tanque e parte superior deste, justamente de onde sai a tubulação para o cânister.

Esse volume de ar acima do líquido é conseguido mediante a interrupção do abastecimento ao primeiro desarme do bico da bomba (leia Como a bomba de gasolina do posto sabe que o tanque está cheio). Não se deve tentar colocar mais combustível, pois é possível "contrariar" o bico da mangueira da bomba, tendo como resultado o volume de ar entre líquido e parte superior do tanque simplesmente deixar de existir. Com isso certamente haverá passagem de gasolina para o cânister, encharcando-o e inutilizando-o, além de enriquecer fortemente a mistura ar-combustível. Isso confundirá o sistema de gerenciamento eletrônico do motor, que, por sua vez, adotará medidas corretivas que não correspondem à realidade. Isso prejudica o bom funcionamento do motor.

A capacidade do tanque de combustível informada no manual do proprietário é nominal e corresponde ao primeiro desarme do bico da mangueira da bomba. A capacidade real é cerca de 10% maior e isso explica por que alguns motoristas acham que o posto é desonesto, por entrar mais combustível do que a capacidade conhecida.

Portanto, o abastecimento deve ser considerado terminado ao primeiro desarme do bico da mangueira. O velho método de calcular quanto combustível foi consumido de tanque cheio a tanque cheio, até à boca, agora deve ser de primeiro desarme a primeiro desarme.